Idoso torturado por cuidador de idosos já tinha sofrido outras agressões, diz polícia
02/03/2026
(Foto: Reprodução) Idoso é torturado por cuidador, em Goiás
O idoso de 86 anos que foi filmado sendo torturado pelo cuidador, em Goiânia, já vinha sofrendo agressões há pelo menos três meses, segundo a polícia. Segundo o delegado Alexandre Bruno Barros, será preciso checar todas imagens gravadas na casa para saber desde quando a situação acontecia.
Em nota, a defesa do cuidador manifestou “profunda preocupação” sobre o pedido de prisão preventiva e sobre o andamento da investigação. Disse, ainda, que é necessário que os direitos constitucionais dele sejam integralmente resguardados, “em especial o princípio fundamental da presunção de inocência” (leia a nota completa ao final da reportagem).
De acordo com as investigações, o idoso é acamado e diagnosticado com Alzheimer. As torturas aconteceram dentro de casa onde ele mora e foram registradas por câmeras de segurança instaladas pela família no quarto da vítima.
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O delegado Alexandre Bruno disse também que a polícia já tem outras imagens que mostram as agressões, mas a família do idoso não autorizou que fossem repassadas.
"Ele vai responder pelo crime continuado de tortura", disse o delegado.
A polícia explicou ainda que a investigação também procura por outras pessoas que contrataram o enfermeiro, mas, até o momento, nenhum outro caso semelhante foi registrado.
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O g1 entrou em contato com o Conselho Regional de Enfermagem em Goiás (Coren), mas até a última atualização dessa matéria não teve retorno. À TV Anhanguera, o conselho disse que, diante da gravidade dos fatos, foi instaurada uma investigação com o objetivo de apurar as circunstâncias e adotar as medidas administrativas e éticas cabíveis.
Ainda segundo o Coren, a Procuradoria Jurídica do Conselho mandou um ofício à delegacia especializada no atendimento ao idoso, solicitando informações para dar prosseguimento à investigação da entidade.
Homem agride idoso com alzheimer, em Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
Entenda o caso
A Polícia Civil (PC) disse que as torturas contra o idoso foram descobertas depois que a família dele desconfiou de algumas lesões e decidiu olhar as imagens das câmeras de segurança.
“Os familiares já vinham desconfiando. O idoso apresentava algumas lesões e resolveram verificar as câmeras. Pelas imagens, viram aquelas cenas que todos ficaram horrorizados”, disse o delegado.
O filho do idoso, Leonardo Vasconcelos, disse à TV Anhanguera que a família ficou chocada ao rever as gravações e descobrir as agressões. Segundo ele, mesmo depois de ser confrontado com as imagens, o cuidador negou as agressões e teria classificado as imagens como “procedimento normal”.
“Foi uma decepção muito grande. Quem me garante agora que isso já não vinha acontecendo antes?”, afirmou em entrevista à TV Anhanguera.
O cuidador trabalhava na casa desde junho do ano passado e sabia da existência de câmeras de monitoramento. As imagens mostram o profissional segurando as pernas do idoso e forçando movimentos repetidamente. Em outro momento, ele é visto agredindo o paciente enquanto o limpa.
Caso é tratado como tortura
O delegado destacou que o idoso está em estágio avançado da doença, não consegue se locomover, já não reconhece mais ninguém e precisa de cuidados especiais. A Polícia Civil não enquadrou o caso como maus-tratos, mas como tortura.
Segundo Alexandre, embora a diferença entre maus-tratos e tortura seja sutil, o caso apresenta elementos que caracterizam tortura, como a repetição das agressões, a relação de submissão e o uso de crueldade. Ele ressaltou ainda que o idoso, de 86 anos, está em situação de incapacidade e extrema vulnerabilidade.
"Aquele indivíduo estava ali para garantir a dignidade da pessoa humana”, afirmou.
Leia a nota completa da defesa do cuidador:
"A defesa técnica, sob a responsabilidade da advogada Lauany Deborah Rodrigues, vem a público expressar sua profunda preocupação diante do pedido de prisão preventiva apresentado pelo Delegado Alexandre Bruno, bem como sobre o andamento inicial da investigação que culminou no presente caso.
É inegável que casos que adquirem grande repercussão midiática, com a exposição pública de imagens fatos relacionados aos envolvidos, geram forte comoção social. Contudo, tal cenário pode, lamentavelmente, alimentar uma sensação de injustiça e revolta que coloca em risco a integridade física e moral do defendido, dificultando a preservação de seus direitos e garantias fundamentais. A defesa reitera que a busca por justiça não pode ser confundida ou substituída por um sentimento de vingança.
Neste contexto, a defesa salienta que ele deseja, e tem o direito, de apresentar sua versão dos fatos, buscando a verdade real. É imperativo que os direitos constitucionais dele sejam integralmente resguardados, em especial o princípio fundamental da presunção de inocência. Infelizmente, a defesa acredita que este princípio não está sendo devidamente observado no curso das investigações e do processo até o momento.
No que tange as investigações, a defesa informa que, nos próximos dias, apresentará os requerimentos cabíveis para que seja analisada a legalidade das provas coligidas. Manifestamos, ainda, grande apreensão com a postura nesta fase inicial do inquérito, onde se observa uma aparente inclinação para a busca de elementos probatórios que visam adequar os fatos a uma tipificação penal mais grave, o que contraria os princípios da imparcialidade e da busca pela verdade real.
A defesa, por meio da advogada Lauany Deborah Rodrigues, reafirma seu compromisso inabalável com o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, e seguirá trabalhando incansavelmente para alcançar a justiça, atuando diligentemente para garantir que esta seja feita de forma equânime e livre de pressões externas".
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